Depois de algum tempo no Brasil, aprendendo a língua portuguesa, o padre Canísio foi designado para ser professor de História Sagrada no Juvenato. Ainda muito inseguro no falar a língua portuguesa, o risonho sacerdote começou o seu trabalho junto à meninada. Mais depois foi escalado para ser professor de Língua Grega. Diziam que ele tinha um profundo conhecimento daquela matéria. Só que tinha imensa dificuldade de transmiti-la para nós, além de não dominar suficientemente a nossa língua. Mas, aos trancos e barrancos, fomos aprendendo alguma coisa.
Certo dia, na hora do recreio, alguém chegou com a novidade: lera em um livro de ciência que o bocejo é contagiante. Basta um bocejar na frente de outro, que este será forçado a fazer o mesmo.
A aula seguinte, logo após o recreio, era com o padre Canísio. Resolveu-se testar essa teoria, pondo-a logo em prática.
Durante a aula, um aluno boceja diante do professor voltado para a turma. Logo outro faz o mesmo, em seguida um terceiro. E todos de olho no padre Canísio. E não é que o padre interrompe a sua fala de grego e solta o maior bocejo na nossa frente, inclusive com música.
Foi uma risada geral. Até o padre Canísio riu também: só que ele não sabia do que estava rindo. Assim ficou provado que a tese era verdadeira.