No mês de junho, entrávamos de férias. Mês gostoso das laranjas, mexericas e limas. Estávamos sempre visitando, a convite, as chácaras de pessoas amigas: ora na Fazenda São Simão, da dona Nora, irmão do bispo redentorista Dom Muniz, ora no sítio dos pais de nosso colega Juventino. Desta vez, fomos para a chácara dos pais de nosso colega André. O dia inteiro nos divertindo e chupando laranjas. Na volta, a gente costumava trazer nos bolsos uma ou duas laranjas, para serem chupadas na caminhada de volta ou então na penúria do dia seguinte.
Aconteceu que três colegas arranjaram um saco vazio com o Irmão Felipe e encheram-no de laranjas, depois de já terem se fartado com elas o dia inteiro.
O padre sócio, depois das despedidas e agradecimentos, quando nos preparávamos para partir, viu aqueles três com o saco cheio de laranjas. “Onde vocês pensam que vão com este saco? Nada de leva-lo. Têm de chupar as laranjas aqui mesmo. Podem voltar com ele para o pomar.” E lá se foram os três para trás, carregando o saco de laranjas. Como chupar um saco de laranjas, depois de um dia inteiro só fazendo isso? E ninguém poderia ajuda-los na tarefa, pois todos já estavam pra lá de satisfeitos.
Sentaram-se, então, os três ao redor do saco de laranjas. Um descascava a laranja, chupava o caldo, mas não engolia nada: cuspia-o fora. Outro descascava bem grosso a laranja, saindo o miolo quase todo junto com a casca, sobrando então quase um palito, ele comia a contragosto. O terceiro, mais esperto, pegava um punhado de laranjas do saco e as ia espetando de volta nos espinhos das laranjeiras. Assim, deram conta do recado em dois tempos. Serviu a lição. Nunca mais ouvi falar de juvenista que levasse saco vazio para traze-lo cheio de laranjas na volta!