Quando chegavam os alunos novatos no Juvenato, eles eram testados pelo Padre Inácio – o maestro do coro – a fim de serem distribuídos pelas vozes: ou soprano (se conseguissem atingir notas mais agudas) ou contralto (se tivessem mais facilidade com as notas mais graves). Quem não fosse apto para uma delas, não fazia parte do coro: ficava no Coro Xis, isto é, de fora.
Certa feita, estava o Padre Inácio testando vários novatos. Sentado ao piano da sala de recreio, ele ia percutindo as teclas para cima ou para baixo, enquanto o calouro ia cantando as notas respectivas: dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó (às vezes até subindo mais alto), ou: dó-si-lá-sol-fá-mi-ré-dó. Pelo desempenho do candidato, ele avaliava qual voz o menino integraria.
Ora, aconteceu que um novato totalmente desafinado estava sendo testado. Para cima, foi aquela tristeza. Para baixo, o Padre Início, para ver até aonde a coisa chegava, foi descendo a escala no piano. O garoto, mantendo a mesma tonalidade da voz, ia só mudando o nome das notas. E o Padre Inácio foi descendo, e o menino acompanhando. Até que o maestro atingiu a última nota mais grave do piano e o garoto firme cantando as notas. Então o Padre Inácio voltou-se para ele e disse, sorrindo: “Nunca vi um menino que tivesse uma voz assim tão grossa! Parabéns! Você vai fazer parte do Coro Xis.”