Esta me foi contada pelo próprio protagonista da história, o bom e santo padre Vicente Zey.
Quando veio da Holanda para o Brasil, passou por Congonhas. Lá, um belo dia, foi celebrar missa no Santuário do Senhor Bom Jesus, hoje Basílica. Na hora do ofertório, apesar da penumbra que envolvia o altar-mor, percebeu uma cor diferente no vinho que o coroinha estava despejando no cálice. E pensou: “Deve ser vinho branco”, que também era válido para a celebração. E tocou a missa para a frente. Mas, no momento da comunhão, ao sorver o líquido contido no cálice, um fogaréu lhe queimou a boca e desceu ardendo pela garganta abaixo. Aquilo não podia ser vinho coisa nenhuma! Com a visão baralhada – também pudera! De manhã e em jejum? – mal conseguiu chegar ao fim da missa e descer tonto os degraus do altar-mor em direção à sacristia nos fundos da Igreja. Lá se inteirou do erro do sacristão. É que este costumava guardar amoitada no armário da sacristia, junto com as garrafas de vinho, uma garrafa de cachaça. Provavelmente era para uso tópico, isto é, para friccionar em contusões e pancadas e outras coisas mais agradáveis. Na hora de encher a galheta de vinho, deve ter confundido as garrafas.
Assim, o nosso bom e santo padre Vicente, de um modo bem religioso e especialíssimo, travou contato com a nossa famosa caninha mineira.