Padres redentoristas, recém-chegados da Holanda, costumavam tirar as primeiras semanas no Brasil, para visitarem todas as casas da então Vice-Província do Rio de Janeiro.
Por conta disso, lá um belo dia compareceram no recreio dos juvenistas os padres Fernando e Canísio, que acabavam de ser enviados da Província Holandesa para o Brasil. Padre Fernando já arranhava um pouco a língua portuguesa, mas o padre Canísio só sabia rir e girar o corpo. Do penoso diálogo sobrou apenas a parte final, quando, ao se despedirem para prosseguimento de sua viagem rumo às outras casas do norte de Minas, o padre Fernando, para ser gentil com os seminaristas, soltou esta frase:
- Olha a viva do Brasil!...
Um retumbante “Vivôôôôô!...” de nossa parte respondeu àquela sua saudação.
E lá se foram os dois...
Semanas depois estavam de volta ao Juvenato. Novo encontro, mas desta feita o padre Fernando já melhorara um pouco mais o seu português.
Perguntado sobre se ele tinha gostado de Curvelo (naquela época ela era conhecida como “a cidade da poeira”, pela falta de calçamento de suas ruas), o padre Fernando pensou um pouco e respondeu:
- Oh! Gostei muito! Cidade muito bonito! Mas ruas todas sem calças!...
A turma riu à vontade...
(Antônio Henrique Weitzel)