Francisco de Assis Martins Ribeiro - Coisas de padres e freiras... ´I Fioretti`
Como coroinha “titular” na capela do Colégio Santa Catarina, lembro-me de muitas estórias. Um delas. Acontecera, na cidade alguns roubos de vasos sagrados, com arrombamento de sacrários. 0s padres redentoristas eram os capelães do Colégio. Preocupado, Pe. Geraldo, com seus mais de 100 quilos e um vozeirão que dispensava muitos microfones, chamou a Irmã Gertrudes. Uma santa na sua beleza feminina e na candura do seu coração, e perguntou-lhe se a chave do sacrário ficava bem guardada. E ela, na simplicidade: “Sim, Pe. Geraldo. Guardo-a dentro desta caixinha, que fica dentro deste armário. A chave deste armário fica na secretaria, em gaveta a que tem acesso somente a Irmã Superiora que, à noite, leva consigo a chave da secretaria.” - Parabéns Irmã. Muito bem guardada. Mas, e se o ladrão somente se encostasse neste armário ( e fez a representação), esta porta quebraria e ele pegaria a chave nesta bela caixinha e tudo estaria perdido. Não seria melhor levar a chave do sacrário com a superiora?
Por falar em Pe. Geraldo....Foi por volta de 1939. Havia começado a guerra, chamada a 2ª Guerra mundial e, em Juiz de Fora, junto ao “Sport Club”, fundara-se um Cassino – Cassino Atlântico Juiz de Fora.. A missa das 10 horas, aos domingos, na paróquia era muito freqüentada inclusive por católicos da sociedade juizdeforana que residiam no centro. Levado por meu pai, também eu assistia muitas vezes essa missa.
Naquele dia, fazia a pregação o Pe. Geraldo que falava dos pecados da humanidade como causa das desgraças que acontecem. E, num crescendo, sua voz, ecoando muito além das paredes da igreja, com um violento murro no púlpito, exclamou: “Não fosse este execrável cassino, não haveria esta guerra maldita” . O silencio perpassou pela igreja...Certamente havia ali pessoas em cuja consciência se calou a voz de Deus.