Francisco de Assis Martins Ribeiro - Liga católica
Era maravilhosa, no quarto domingo de cada mês, a reunião da Liga Católica de nossa Igreja da Glória. Às duas horas da tarde, com seus prefeitos e estandartes de cada seção, a igreja ficava cheia. Perto de 1000 homens maduros e de fé. E ninguém dormia, apesar da hora, pois a movimentação era intensa e os cânticos vibrantes: “Viva Jesus, a nossa Liga o brada. Viva Jesus, a nossa Liga o quer. Em vão o mundo e satanás nos fazem guerra, banir não podem o teu nome desta terra” e este outro: “Jesus, Maria, São José, pobres também aos olhos do mundo. O Trindade de Nazaré, digna do respeitos o mais profundo.” Tudo isso depois da solene invocação do Espírito Santo, no “A nós descei. Divina Luz...”
Quando da Revolução de 1930, aquela em que Getulio Vargas assumiu o poder e os gaúchos amarraram seus cavalos no obelisco da Av. Rio Branco, no Rio de Janeiro, houve, no final da tarde, um desfile militar. De repente, após as tropas, Getulio levou um susto. Vinha grande multidão de homens, liderados por um padre baixinho. Foi quando o Cardeal D. Leme, o mediador da crise e que conseguira a saída de Wasghinton Luiz, disse a Getulio: “ Não tenha medo. Com estes homens o senhor pode realmente contar em um governo sério.” Era a Liga da Paróquia de Santo Afonso, no Rio, que rivalizava em número com a da Glória. O padre baixinho era o grande missionário redentorista, de voz tonitruante, Pe. João Batista Smits.
Por volta dos anos 50, Pe. João Batista, já idoso e bastante esclerosado, residia no Convento da Glória. Quantas vezes, meu irmão tinha de ir buscá-lo na estação de Mariano Procópio, portando uma grande mala. “Vou para as missões”, respondia. E precisava muito jeito para trazê-lo de volta.