Francisco de Assis Martins Ribeiro - Questão de imagens
As Irmãs de Santa Catarina acabaram de construir a belíssima capela. Um pouco destoante do conjunto arquitetônico do Colégio, como me falou o Pe. Bonifácio van Germert, mas bela, funcional, ampla. No primeiro momento, sem imagem alguma, talvez porque o artista que as estava fazendo não concluíra seu trabalho. Mas, já era a capela preferida pelos movimentos mais modernos da igreja, como a Ação Católica, beneditinos, que vinham frequentemente celebrar a missa das 8 horas, aos domingos, para aquela Associação. Missa dialogada, na primeira manifestação da reforma litúrgica, em que o povo poderia responder, em latim, aos “Dominus vobiscum”, “Sursum corda” e ao “Confiteor”, que nós coroinhas, embolávamos, como relembrou o Henrique Weitzel neste espaço.
Bem, vamos ao caso das imagens que quase reacendeu a terrível controvérsia que dilacerou o Império Bizantino e que só foi dirimida com o II Concílio de Nicéia que reafirmou o valor da Tradição e a liceidade do culto das imagens. Pois bem, terminara a missa das 6:15h, celebrada pelo Pe. Gabriel van Vick, grande missionário redentorista, quando foi abordado por um beneditino que lhe disse: “belíssima capela!”, ao que retrucou: ”Igreja protestante. Na minha igreja, em Benfica (que acabara de construir) há onze imagens de cada lado. É católica.”
E ainda sobre a capela de Santa Catarina. Construída por José Abramo, teve os trabalhos fiscalizados e coordenados pela Irmã Carista (não sei se o projeto era dela, as Irmãs deveriam falar sobre isso). Uma obra de engenharia pelo equilíbrio e leveza. Pois bem, quando foi necessário fazer um reforço há pouco mais de uns oito anos, verificou-se que, como nas catedrais medievais, até os blocos da fundação eram perfeitos nas suas linhas. O fato de estarem escondidos aos olhos humanos não estavam aos olhos de Deus.